Dançarina fala sobre preconceito que sofreu com seu corpo

Atualizado: Jun 8

O ano desta entrevista é 2016. A protagonista desta história é Mariana Raiol. Bailarina e professora de Jazz, ela quebrou paradigmas e preconceitos por conta do seu peso, considerado "fora do padrão ideal" para bailarinas. Conheça sua história nesta entrevista:

Com apenas 21 anos de idade, já esbanjava talento e determinação de sobra com seu profissionalismo e dedicação. A bailarina, que começou a estudar dança aos três anos de idade, aos nove já participava de concursos com o grupo de Jazz de sua escola. Quando completou 18 anos, Mariana conquistou seu registro profissional como artista bailarina, consolidando-se no universo da dança, definitivamente, chegando a dar aulas de Jazz. Embora a dança não tenha sido seu único ofício, a arte sempre foi presente em sua vida.

Pauta na Mesa: Por que você decidiu seguir a carreira de dança? Mariana Raiol: Escolhi seguir esse caminho porque sempre gostei de dançar, e, apesar de ser um trabalho, me divirto dando aulas e dançado. Eu fiz Ballet por dez anos, e também Dança Moderna, Hip Hop e Sapateado. Porém, foi no Jazz que me identifiquei mais. Eu sou muito feliz no que eu faço. Pauta na Mesa: Quais foram os maiores desafios no decorrer da sua carreira como dançarina? MR: Meu peso, sem dúvida! Sempre estive acima do peso ideal para uma bailarina. Já cheguei a pensar que não poderia dançar bem e profissionalmente, mas, encontrei pessoas que sempre me incentivaram, me deram forças para continuar e viram que eu tinha potencial, apesar do tipo físico. Porém, também já aconteceu de pessoas não olharem a minha dança e sim o meu corpo, principalmente quando dançava Ballet. Sofri com isso e, às vezes, ainda sofro.

Mariana Raiol em apresentação de dança

"Sempre estive acima do peso ideal para uma bailarina. Já cheguei a pensar que não poderia dançar bem e profissionalmente, mas, encontrei pessoas que sempre me incentivaram, me deram forças para continuar e viram que eu tinha potencial, apesar do tipo físico. Porém, também já aconteceu de pessoas não olharem a minha dança e sim o meu corpo, principalmente quando dançava Ballet. Sofri com isso e, às vezes, ainda sofro."


Pauta na Mesa: Quais foram suas maiores conquistas na dança? MR: Tirar o DRT [Registro Profissional] pelo Sindicato dos Profissionais da Dança, em Jazz, poder começar a dar aulas, dançar uma variação de Ballet de Repertório [histórias encenadas por meio da dança] e ganhar medalhas em concursos com grupos e, principalmente, nos meus solos.  Pauta na Mesa: O que mais te motiva a querer continuar dançando? MR: O que me motiva é poder transmitir às pessoas minha paixão pela dança e poder ensiná-las o que aprendi, fazendo com que elas sintam o que sinto quando danço.  A dança é para todos. Apesar de dificuldades particulares, quando vejo no palco o meu trabalho finalizado dá um orgulho enorme.  Pauta na Mesa: Ainda pretende se desenvolver em outra área diferente dessa? Por que? MR: Eu sempre quis fazer Medicina, já tentei Odontologia e me encontrei na Fisioterapia. Infelizmente, a dança precisa ganhar espaço e reconhecimento no mercado de trabalho. Na verdade, acho que a cultura em geral é pouco valorizada no Brasil. Então, para viver apenas de dança, é muito difícil. Mas, se eu pudesse, viveria só de dança!


Pauta na Mesa: Onde um dançarino profissional pode exercer seu trabalho? MR: Pode dar aulas de diferentes modalidades de dança, pode atuar como bailarino ou bailarina de companhias de dança, ser coreógrafo, ensaiador, assistente de dança etc. Pauta na Mesa: Você se inspira ou se inspirou em alguém especial para querer seguir na dança? MR: Sim. Eu tive professores importantes e levei em mim um pouco de cada um, mas, em especial, a minha primeira professora de Jazz, Gabriela Patrício. Hoje em dia, trabalho como sua assistente. Ela conseguiu ver em mim um potencial que eu mesma não via e, com isso, sempre me inspira e incentiva a continuar acreditando na minha dança. Pauta na Mesa: O que você tem a dizer aos apaixonados pela dança, mas acham que não podem por algum motivo? MR: Vou dizer o que eu sempre digo para minhas alunas: Tem que fazer aulas e se esforçar, e, acima de tudo, acreditar sempre no seu potencial, independente do que os outros falem.




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